O mundo virtual e as nossas crianças!

Atualizado: Jan 16



Na sua opinião, qual o maior desafio para entreter as crianças, adolescentes e jovens hoje? RC Provar que a realidade é mais atraente que a virtualidade. Mostrar que adultos sabem se divertir. Experimentar sensações como: derrota, espera, tristeza, dor, etc. 

MF Existem benefícios no entretenimento digital? RC Sim, vários, principalmente no campo dos estímulos cognitivos. Mas de nada adiantam estímulos, se não houver possibilidade concreta de experimentação. Um exemplo clássico é que um “jogador” de futebol virtual, não necessariamente será um jogador de futebol no mundo real. Por meio do jogo ele tem exercícios contínuos de reflexo e coordenação motora, mas física e mentalmente, o jogo nunca conseguirá proporcionar ao usuário um treinamento completo. É preciso alinhar o real com o virtual, sempre valorizando o real como principal estímulo.

MF Como você define entretenimento de qualidade? RC Aquele que respeita as limitações de entendimento, valores e requisitos sociais de cada indivíduo. 

MF Vemos os bebês já conectados em seus tablets, isso é bom ou ruim?

Somo humanos, precisamos de cuidados e só aprendemos a ser gente convivendo com gente, só aprendemos a amar, sendo amados. O virtual não cuida, vicia, o virtual não ensina, diverte, o virtual não constrói cristãos, constrói consumidores. É um assassinato intelectual deixar que uma criança aprenda sobre o mundo com uma porquinha, ratinho, galinha ou coelhinha e não com papai e mamãe. Amor é gratuito e muito mais eficiente, mas com toda a certeza dá muito mais trabalho de executar.

MF Que tipo de entretenimento os adolescentes buscam mais no mundo virtual? RC Games, músicas, redes sociais, animes, séries 

MF O que falta na educação dos filhos para que eles tenham mais relacionamentos pessoais?

RC Opções de diversões fora de casa, não estou falando de cinema ou teatros. Estou falando da casa de amigos, praças ou parques. Lugares onde não existam brinquedos novos ou caros demais para dividir; lugares onde nada possa ser feito sozinho, onde não se tenha preocupação com estética, nem tampouco com conforto. 

MF Falando de fé, na sua opinião, o mundo virtual tem ajudado ou pode vir a ajudar na divulgação do evangelho para crianças e adolescentes? RC Pode vir a ajudar. No momento temos uma geração consumidora, que só encontra tópicos por questões polêmicas ou virais. Deus na internet é tratado da mesma forma. Devemos evangelizar de maneira mais cotidiana e adaptar o cristão a preservar a fé na internet. Para criança Deus não deve ser apresentado pela internet e sim pelo dia a dia, pelo cotidiano cristão autêntico. Para com o adolescente, Deus deve estar no cuidado de si para com o outro, é uma geração de adolescentes que curte muito redes sociais, mas que menos se sociabiliza. Devemos ensinar nossos filhos a existirem no mundo real para depois, experimentarem outras ferramentas. Deus está em todo o lugar, mas na internet, ainda está bastante escondido. 

MF Quais dicas você deixa para as mães que desejam que seus filhos trilhem o caminho da fé e tenham valores cristãos?

RC Não tenham medo, vivemos no melhor tempo para educar nossos filhos. Esta é uma geração carente, o cristianismo é a resposta para este tempo. Apresente aos seus filhos: filmes, desenhos, livros e músicas, não deixe que os coleguinhas façam esta parte fundamental da formação intelectual e espiritual de seus filhos.  Desliguem seus aparelhos tecnológicos quando estiverem com seus filhos.

Nunca interrompa um momento de oração para falar com alguém pelo comunicador instantâneo. Nunca deixe seu filho para depois. Assim ele conhecerá Deus de forma plena. Poucos discursos e muitos gestos concretos.

É desconectando do mundo para conectar com o nosso Salvador que viveremos a alegria de servir e não de ser servido, de amar e não de apenas ser amado. Tudo isso pode e deve ser divertido, isso está explícito no imperativo de vivermos uma Vida em Abundância, este é nosso legado.

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RICARDO AGUSTO QUARESMA CHAGAS é Consultor Educacional e Pesquisador da Infância e Juventude. Com inúmeras atividades relacionadas à educação e tecnologia, destaca-se por ter criado o Programa Nacional Caixa de Ferramentas e o Plano Multimeios de Segurança e Desenvolvimento Familiar; e por ser fundador da empresa Educ@arte “soluções para educação neste novo milênio”

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